segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A 2ª corrida do Sporting

Caro diario de corridas

 

Totalista na corrida do Sporting, cujo nome peca por não fazer alusão a um dos maiores mentores do atletismo do SCP que foi e é (felizmente)
O Prof. Moniz Pereira.




 
O dia anunciava-se nublado, com pequenas abertas de um sol magnífico e brilhante que não permitiria que se estragasse a festa, como habitual recorro sempre aos transportes publico por razões de comodidade e pontualidade. Apanhámos o comboio da Fertagus no local do costume que dista aproximadamente 30 minutos de Entrecampos, pontualmente cumpridos diga-se, tomámos o metro até Alvalade e eis que deparo com uma mancha verde que ocupava todas as artérias aquele magnifico estádio que me arrepia sempre que lá entro. Como o tempo era curto pois faltavam apenas 10 minutos para a partida dirigimo-nos rapidamente para o local de partida que ostentava a marca (Sub 50) que era logo a seguir á classe elite B. pode até não dizer nada a  muita gente , mas para quem corre e regista tempos faz toda a diferença a saída de balões indicativos dos tempos, assim para melhor esclarecimento havia um escalonamento de 4 balões de tempos,

- Elite B

- Sub 50`

- Sub 60`

- Mais de 60` (minutos)

 
É um evidente sinal de que a corrida do Sporting Clube de Portugal se está a afirmar como uma prova séria e que ficará nos pergaminhos da História!

    Bem organizada, com abastecimentos capazes e suficientes, aos 4, 5 e 7 km cumpriram integralmente pelo que não ouvi queixas o que é bom, as partidas são sempre a fase critica das corridas com os mais rápidos a avançarem rapidamente a contornar meio estádio pela Francisco Stromp, e nós a segui-los com um ritmo bem forte na casa dos 4´/km mas que eu sabia ser sol de pouca dura (tal como o tempo atmosférico) rodámos á direita para apanhar o Campo grande (aquela grande avenida que nos conduziria até ao Saldanha) gosto de correr no campo grande com as suas arvores frondosas ladeada por faculdades e um piso regular, nesta fase continuava ao km 3º com um registo de 4,29” ao km um ritmo demasiado forte para aguentar pois temos que passar por 3 viadutos com as suas descidas molhadas e umas subidas pouco planas, mas tudo bem ia fresco com as primeiras gotas de chuva e imbuído da festa ainda repeti em uníssono o nome do Sporting sempre que passava por dentro dos túneis. A rolar sempre abaixo dos 5´ encontrei o primeiro abastecimento (de água) nesta fase e porque habitualmente treino sem levar água em treinos curtos ainda pensei não parar, mas com um ritmo acima do que habitualmente corro não quis arriscar e bebi. Nesta fase continuava bem e recuperava lugares, uma das coisas que me mete alguma apreensão mas não quero com isto julgar comportamentos é a total apatia das pessoas que param e ficam a ver os atletas sem aplaudir, nem palavras de motivação nem nada, ali ficam tipo inertes a olhar. Na minha opinião e talvez porque valorizo muito o meu tempo ou me ia embora a minha vida ou aplaudia com motivação e entusiasmo, agora ficar ali. Paradão de cérebro a diferença que fazemos dos espanhóis é incrível e estão aqui tão perto.

 

Mas valha-nos o entusiasmo daqueles que em calções e t-shirt se aventuram e promovem o desporto em ambientes de festa um pouco por todo o pais para contrariar o cinzentismo latente e secular cá do burgo, desabafos á parte.
    Desta vez e contrariando um pouco os meus gostos pessoais, não levei nem GPS, nem mp3 nem boné, nem nada que pudesse pesar ou atrapalhar o andamento, tinha metido na cabeça que desta vez tinha de baixar os tempos, desde há anos que nunca mais vi a barreira abaixo dos 50 minutos ser derrubada em provas oficiais, por infâmia do destino cheguei a fazer 50, 01” ridículo numa prova recente.

Em treinos mais vivos ando sempre nos 45 – 48 ´ em provas não sei o que se passa, acho que a ansiedade, a pressão, a fase inicial ser demasiado rápida e quebro ..sei lá!! O que sei é que enquanto os outros dão o máximo eu não, pelo que acabo sempre a sorrir contra a maioria das expressões fechadas e a dar a bufa (termo que aplico a quem não pode dar mais.)

 

onde está o wally ? eu ajudo tem camisola branca e oculos escuros e esta do lado direito da foto, (acabaram-se as pistas.)
Cheguei ao ponto de retorno da prova dentro do que previa com 25´ e 1 segundo (1161 Jorge Góis 00:25:01 fonte http://www.corridasporting.com/CS_2012.pdf) aqui folguei pois sei que sou mais rápido na segunda fase do percurso, deve-se provavelmente ás minhas características de homem das distâncias em contraposição á minha rapidez em provas curtas. Bem..depois de voltar do palácio Sotto Mayor e passado o tapete com o leitor de chip, regressei á fase plana com ligeira descida a percorrer a avenida da republica, em sentido contrário vinha um mar de gente bem disposta a cumprimentar e a dar o máximo que podiam , nestas fases penso sempre o que perdem aqueles que ficam em casa , acabrunhados cinzentões, que não sabem o que é participar e  ficam sentados em frente a televisões com conteúdos doentios como esta casa do segredo, a dança dos gordos , sei lá o que se passa na moleirinha do directores das estações para nos darem isto a ver..tomam-nos por tolos certamente e se calhar têm razão. Adiante.. Nesta fase tentei seguir um par de atletas do norte com umas camisetas coloridas pareciam até do Boavista, com uma passada certa sem correr riscos nesta fase descendente da distância, pensei que se me manter atrás destes faço abaixo dos 45´ (sonha..sonha). Começa a chover com mais intensidade, abençoada chuva que nos molhas e refrescas, com um piso mais escorregadio estive para fazer a espargata por 2 vezes a descer uma das descidas no túnel do Campo Grande, a primeira ainda recuperei rapidamente a segunda até senti os elásticos dos calções alargarem..foi por muito pouco não ter que acabar a prova com as mãos a segurar os calções..desta vez optei por levar equipamento que me desse mais garantias, levei as sapatilhas Mizuno Wave 12 , uma camisola técnica Asics ganha na 1ª corrida do SCP, mas as meias …começam a enrolar-se dentro dos ténis e magoarem-me os dedos do pé esquerdo, ainda parei puxei-as sem desapertar os atacadores , senti um ligeiro conforto imediato e segui..mais á frente os dedos do mesmo pé começam a ficar dormentes ( mau sinal) já tinha tido esta sensação e quando a ignorei paguei muito cara a factura. Paragem forçada novamente e toca a mexer os dedos dos pés energicamente sempre a ver os meus companheiros de viagem a afastarem-se e com eles o sonho dos 45 minutos, mas queria lá saber as dores eram fortes demais para ser ignoradas.

Por falar nisso também adquiri nestes últimos dias um valente abcesso num pré-molar que fui desvitalizar que nem queiram saber, mesmo medicado e com ibuprofeno no bucho prás dores sentia os solavancos nas bochechas. Retomei o ritmo mas consciente de que já nem valia a pena tentar apanha-los mas sim manter-me focado na marca a que me tinha candidatado dos Sub 50 minutos. Ultima recta para atravessar o túnel o viaduto da (2ª circular) e seguir em frente em direcção á rua com nome Stromp mas com nome próprio de António, viragem á esquerda seguida á direita contornamos a geografia do antigo estádio José de Alvalade, viragem á esquerda a contorna os taipais que resguardam o espaço aqui já sentia o sabor da chegada, mais um esforço e atinjo os corredores exteriores do estádio que conduzem á porta de acesso ao mesmo, entramos pela mesma porta do ano passado mas terminamos em local diferente, seguimos pelo fosso do estádio fiquei com uma perspectiva diferente, pensei que só no tempo dos coliseus romanos é que existia esta estupidez, mais valia taparem-mo e encherem de lugares ( que seriam milhares á volta do campo) mesmo quase até ás linhas de campo para os adversários sentirem a força do leão, mas eles é que são os engenheiros..meia volta ao estádio ainda recuperei o fôlego a bater-me com uns tipos que venderam caro o lugar , mesmo a segurar com a mão esquerda os calções a mexer os dedo do pé esquerdo sempre que estava no ar e a manter as bochechas fechadas fiquei á frente por milésimas,,terminei com o tempo final de 49 minutos e 11 segundos . por pouco não apanhava outra desilusão.

 

Mas se pensar no que me aconteceu e nas condições de saúde em que corri, não foi nada mau e sempre tenho uma desculpa para justificar.

 

A medalha simbólica e bem bonita por sinal, vai direitinha para a parede em frente á secretária para recordar.

no final ainda tive o privilégio de trocar alguasm opiniões com o dr. Godinho Lopes que preside á direcção do meu clube, fotos da praxe, gostei de ver o Rui Silva ganhar, abraçar o Francis Obikuelo mas acima de tudo sentir-me parte da festa.
 

Observações: nunca fui muito de ligar á bola, apesar de sofrer com as derrotas do meu clube e ainda mais pela falta de respeito que têm para com um clube tão importante como este. ´

Mas acho que os clubes não são só futebol, vivem de memórias e vitórias, de modalidades várias ( as ditas amadoras) e têm as suas glórias espalhadas pelos corredores do estádio, quem não gosta de um determinado clube está no seu direito de preferir outro ou nenhum o que é raro pois sentimos sempre uma certa simpatia por algum nem que seja por afinidade com os gosto de algum parente ou amigo. O que deixa perplexo nem é a utilização de camisolas de outros clubes rivais é a atitude de certas pessoas que têm em mente a provocação e a injuria os chamados mete nojo que gostam de chatear e candidatarem-se fortemente a levar algum palmadão nos costados, ao passar por um dos túneis havia uns parvalhões a gritar SLB como se tivesse algum impacto nos outros, ao serem ignorados começaram a ofender e proferir palavras ofensivas..Uma perfeita desnecessidade numa manha de festa mas na mente tacanha e obtusa de alguns é sempre de esperar estas reacções.


2 tipos não estragam a imagem de um clube grandioso como o Benfica, mas ajudam a construir uma imagem negativa sobre a qualidade dos seus adeptos o que é injusto.

Para o ano farei a corrida do Benfica com muito gosto e darei o melhor como sempre para ajudar a festa, e condenarei também se forem parvalhões do meu clube a ter semelhante comportamento, para que fique claro!

4 comentários:

Corre como uma menina disse...

Eu acho que essa picardia de usar t-shirts dos clubes adversários até tem a sua graça, sobretudo entre grupos de amigos, agora tudo o mais que seja provocação já acho ridículo. Estamos ali para correr, não interessa se é na corrida do Benfica, Sporting ou Reboleira de Cima.

"Dar a bufa" é um bom termo. ;)

Isso do apoio do público depende muito das zonas e, obviamente, das pessoas. Acho que as corridas nocturnas têm mais apoio popular, falo por exemplo da S. Silvestre dos Olivais, que foi a única que participei. As pessoas ou estavam na rua ou às janelas a apoiar e havia mais aquela sensação de "bairrismo" e acho que nas outras S. Silvestre também é assim.

Por causa do comentário dos espanhóis: tenho uma amiga-atleta a trabalhar nos EUA, que quando veio participar na Maratona de Madrid, queixou-se exactamente de não haver tanto apoio por parte do público como nas corridas na América... suponho que é tudo uma questão de perspectiva! ;) (Não obstante concordar que los nuestros hermanos são, regral geral, muito mais efusivos).

Parabéns pela prova, atenção às lesões e boas corridas!

Jorge Goes disse...

Olá devoradora de tremoços

As camisolas até dão um certo colorido, pelo que andarem de t-shirts de clubes rivais até acho piada e emitem uma mensagem clara ás direcções de todos os clubes.
- As pessoas independentemente das opiniões dos seus dirigentes e os facciosos das claques que querem é conflito, estão-se a borrifar para isso querem é divertir-se e correr numa festa popular.

- Dar a bufa é um termo que além de designar a saída metano em forma de flato para a atmosfera em jeito de ventosidade anal que pode ser ruidosa ou não e tem um cheiro fétido, significa na minha gíria estar mesmo nas lonas. A dar o peido mestre (desculpa o vernáculo)

- Pode a tua amiga ter uma perspectiva diferente mas acho o nosso povo sorumbático e sisudo, com cara de frete..A sério!!
Se não querem ver vão ás suas vidas, mas para ficar parado a olhar sem emitir um sorriso, um acenar, nada !

- Obrigado pela tua atenção, creio que se não fosse os episódios rocambolescos que passei poderia ter feito melhor, mas por outro lado ficaria sem tema para escrever, melhor assim 
49 minutos é um tempo aceitável.

Por falar em lesões, nunca te aconteceu estares magoada em qualquer parte do corpo e esta parte agir como um íman? Pois é, comigo acontece.
Sempre que tenho uma ferida ou dor, não há nada que não me bata, choque, pise, amachuque essa zona. Acho que não sou azarado mas distraído sou 100%
Tenho especial cuidado nesta fase com as lesões, mas nunca se sabe, comigo todo o cuidado é pouco.
Ainda não houve uma prova que me corresse a 100%. Mas felizmente nada por lesão mas sim escolhas erradas e de ultima hora, desde a má escolha das meias, sapatos, mamilos há sempre algo.

E boas corridas tb para ti.

PS) Fizeste bem optar pela corrida dos monges, é bonita e perto de casa.

Tiago Rodrigues disse...

Belo "post" e um excelente relato de da corrida. Espero que as meias já tenham ido para o lixo ou então que não as leves no dia 9 de Dezembro. Continuação de boas corridas e bons textos aqui no blog que sigo atentamente.

PS- O que queres dizer com má escolha dos mamilos, no comentário anterior? (LOL)

Jorge Goes disse...

viva Tiago obg pelo teu comentário.

normalmente em provas de distancia ou em treinos mais longos, deves dar-lhe atenção, pode até nem parecer importante mas a Transpiração, o roçar dos ditos nas t´shirts provoca uma assadura que arde com´ó catano. normalmente utilizo em camisolas tecnicas escuras a vaselina mas a camisola fica manchada, noutras situações uso sabes o quê baton do cieiro se leres a composição verás que a substância dominante é a glicerina e ceras, alguns incluem manteiga de karité,vitamina E, óleos de rícino, de jojoba e de amêndoa. mas atenção deves evitar aqueles que têm na sua composição tudo o que seja derivados de petróleo como (paraffinum liquidum, petrolatum, paraffin).

boas corridas